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Câncer e vacinação: quem está em tratamento pode ser vacinado contra a gripe?

 Nessa época do ano, as pessoas começam a se preocupar mais com a gripe, por ficarmos mais suscetíveis a ela por causa da chegada do frio. Mas, além disso, estamos passando por um surto de H1N1, subtipo do vírus influenza A, em todo o Brasil. 

No Sudeste se concentra o maior número de casos de H1N1. E, por consequência, a maioria dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave e óbitos decorrentes da infecção pelo vírus. São Paulo é o estado com o maior número de casos graves da doença, seguido de Santa Catarina, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Ceará.

E, junto a este cenário, todos os médicos, não só os oncologistas, são questionados quanto a quem pode e quem não pode receber a vacina da gripe, inclusive se quem está em tratamento contra o câncer pode receber esta vacina.

Para esclarecer esta questão são necessários alguns conhecimentos sobre a formação do sistema imune, os tipos disponíveis de vacinas e a deficiência de imunidade causada pelo tratamento do câncer.

 


A formação do sistema imune e a vacinação

O sistema imunológico é capaz de criar resistência aos vírus e bactérias. Esses microrganismos, ao atacarem nosso corpo, expõem uma gama de proteínas, as quais possuem em suas estruturas uma composição que permite às células de defesa humanas distingui-las das demais proteínas que compõem o corpo humano. O sistema imune, ao detectar um microrganismo, pela vida da imunidade natural, reage criando anticorpos habilitados a identificar outros vírus como aquele primeiro reconhecido pelo sistema imunológico.

Mas todo o processo de identificação do vírus até a produção dos anticorpos pode levar de 3 a 7 dias, em média, para ser concluído. E os anticorpos criados a partir dessa primeira infecção são somados à "memória imunológica" do indivíduo. Sempre que o mesmo agente invasor entrar no corpo daquela pessoa imunizada, que já possui os anticorpos, o sistema imunológico os produzirá em quantidade suficiente para destruir o vírus invasor. Assim, a pessoa não ficará doente pela segunda vez.

A ideia da vacina é pular a primeira parte de todo o processo, a primeira infecção por um vírus. Desta forma, busca-se, a partir da injeção de fragmentos de vírus ou de exemplares deles atenuados (atordoados, enfraquecidos) em laboratório, permitir a exposição do vírus e, por meio da memória imunológica, fazer com que o sistema imune crie defesas (anticorpos) contra o agente infeccioso pretendido. Por causa deste conhecimento do sistema de defesa humano é que as vacinas são tão eficazes na prevenção de doenças infecciosas.

 

 Os tipos de vacinas

Como citado, algumas são feitas com vírus mortos, como é o caso das vacinas da gripe, do tétano, da meningite, da pneumonia (pneumococo), da hepatite e da vacina contra o câncer de colo uterino (causado pelo vírus HPV). 

O outro tipo são aquelas feitas com vírus vivos atenuados. Neste caso, tendo em vista um sistema imunológico funcionando normalmente, como os vírus foram enfraquecidos em laboratório, quando injetados não conseguem se espalhar no corpo, e a imunidade rapidamente consegue destruí-los, criando também anticorpos. Como exemplos deste tipo de vacina, podemos citar a tuberculose (BCG), o sarampo, a caxumba, a catapora, a poliomielite (a vacina do Zé Gotinha), a febre amarela e a rubéola.

Mas, se os anticorpos criados vão nos proteger para sempre de outras infecções pelos mesmos vírus, por que devemos nos vacinar contra a gripe todos os anos? O que acontece é que o vírus da gripe muda seu DNA e algumas de suas proteínas todos os anos, fazendo com que, em cada temporada de frio (característica sazonal), seja necessário revacinar para que o vírus não consiga "escapar" do sistema imunológico.

 

A deficiência de imunidade causada pelo tratamento do câncer vs. a vacinação

A pessoa que está em quimioterapia contra algum câncer, logo na primeira sessão, recebe do seu médico a informação de que este tipo de tratamento pode induzir a deficiência do sistema imunológico. Assim, o paciente pode ficar exposto a vírus que já são conhecidos pelo seu organismo ou ter um tempo de resposta imunológica muito longo para responder à infecção de um determinado vírus. Esse é o problema.

No caso de vacinas com vírus vivos atenuados, apesar de o fato destes vírus estarem "atordoados e enfraquecidos", o organismo em quimioterapia pode não ter capacidade suficiente para a produção de anticorpos em tempo hábil. Sendo assim, pacientes em tratamento contra o câncer, que estejam com imunidade baixa, não podem, de forma nenhuma, tomar vacinas com vírus ou bactérias vivos atenuados. Portanto, o médico oncologista deve continuar sendo consultado antes da vacinação de um paciente em quimioterapia.

Já as vacinas de vírus mortos não são capazes de causar mal para a pessoa em tratamento. O sistema imunológico não funcionando bem pode não ser capaz de criar os desejados anticorpos que a vacinação intenciona e, neste caso, a vacina teria sido tomada em vão.

Logo, quem está em tratamento contra o câncer pode ser vacinado contra a gripe? Frente ao surto de H1N1, temos que deixar claro que a vacina para este vírus é fabricada a partir de vírus mortos. Como explicado acima, da mesma forma que não coloca o paciente em quimioterapia em risco, ela também pode não contribuir em nada na formação de anticorpos contra o H1N1.

 

Como se prevenir

De acordo com o Ministério da Saúde*: para a redução do risco de adquirir ou transmitir doenças respiratórias, especialmente as de grande infectividade, como o vírus Influenza, orienta-se que sejam adotadas medidas gerais de prevenção, chamadas de "etiqueta respiratória", tais como:

  • A frequente lavagem e higienização das mãos, principalmente antes de consumir algum alimento; 
  • Utilizar lenço descartável para higiene nasal; 
  • Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir; 
  • Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca; 
  • Higienizar as mãos após tossir ou espirrar; 
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas; 
  • Manter os ambientes bem ventilados; 
  • Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de gripe.


Já os indivíduos que apresentam sintomas de gripe devem: 


  • Evitar sair de casa em período de transmissão da doença (até 7 dias após o início dos sintomas);
  • Abster-se do ambiente de trabalho para evitar disseminação;
  • Evitar aglomerações e ambientes fechados, procurando manter os ambientes ventilados;
  • Adotar hábitos saudáveis, como alimentação balanceada e ingestão de líquidos.


Recomenda-se que o serviço de saúde seja procurado imediatamente caso algum destes sintomas seja apresentado: dificuldade para respirar, lábios com coloração azulada ou roxeada, dor ou pressão abdominal ou no peito, tontura ou vertigem, vômito persistente, convulsão.

 

* Ministério da Saúde. Portal da Saúde. Influenza. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-m>inisterio/principal/secretarias/svs/influenza.