Cientista brasileiro comprova eficácia de imunoterapia para câncer renal.

Cientista brasileiro comprova eficácia de imunoterapia para câncer renal.

Pacientes com tumores agressivos, que matam em poucos meses, ganharam mais tempo
por Mariana Sanches

Raphael Brandão é especialista em câncer há oito anos – Divulgação SÃO PAULO – Um brasileiro de 34 anos é o pesquisador responsável por um estudo inédito que revelou que a imunoterapia é capaz de tratar a forma mais agressiva de câncer renal. Nesse método, em vez de dar aos doentes drogas capazes de matar tanto o tumor quanto as células saudáveis – como faz a quimioterapia -, o médico “acelera o sistema imunológico dos pacientes”, fazendo com que as células de defesa fiquem mais potentes e ataquem o câncer.

Em sua pesquisa, Brandão monitorou, ao longo de um ano, a resposta de 60 pacientes de diferentes nacionalidades. E os resultados foram tão animadores que ele recebeu o prêmio de mérito científico da Sociedade Americana de Oncologia Clínica. Existem dois tipos de câncer de rim: o de células claras e o de não claras, que é o mais agressivo e letal. Todos os pacientes que participaram da pesquisa sofriam deste último tipo, que costuma não responder a tratamentos mais convencionais e pode levar à morte em apenas três meses.

No entanto, após seis meses de tratamento com imunoterapia, 80% dos pacientes continuavam vivos. Ao final de um ano, 20% deles apresentaram redução dos tumores. O resultado foi surpreendente porque, até então, acreditava-se que apenas os cânceres de células claras poderiam ser tratados com a técnica. “Mostramos que há um caminho diferente para abordar esses tipos de tumores. Agora, a indústria farmacêutica deve investir mais em drogas para imunoterapia, o que pode popularizar e baratear o tratamento”, afirma o pesquisador.

Brandão é pesquisador da universidade americana Harvard e do Grupo Oncoclínicas, que atua em 10 estados brasileiros. A pesquisa foi conduzida em parceria com outros pesquisadores nos Estados Unidos, Canadá, Espanha e Coreia do Sul.

TRATAMENTO CARO

No Brasil, o tratamento de imunoterapia para câncer custa, em média, R$ 50 mil por mês, e não está disponível no SUS. A abordagem é relativamente nova no país. A primeira droga do tipo foi aprovada pela Agência de Vigilância Sanitária apenas em 2012, mas o tratamento imunoterápico no Brasil começou a ser adotado com mais frequência a partir de 2015. Ele pode ser usado tanto para tumores de rim quanto de bexiga e pulmão, além de melanomas e linfomas.

“O tratamento é eficaz para doenças que se desenvolvam por alguma falha do sistema imunológico. Diariamente, desde que somos bebês, nosso corpo produz células pré-cancerígenas. Mas elas são combatidas pelas células de defesa. Se, em algum momento, essa resposta de ataque não ocorre, o câncer se desenvolve”, explica Brandão.

Nem todos os tipos de câncer respondem à técnica. Tumores de pâncreas, por exemplo, não regrediram quando tratados com imunoterapia. Mas nos casos em que há a alternativa, existem ganhos importantes para a qualidade de vida do paciente. A imunoterapia apresenta menos efeitos colaterais do que a quimioterapia. E os pacientes tratados com o método não sofrem com a perda de cabelo, a necessidade de isolamento e a fraqueza.

“Em oncologia, a medicina tem mais perguntas do que respostas. Então é uma alegria quando encontramos uma dessas respostas”, comemora Brandão, que se tornou especialista em câncer há oito anos, depois de perder uma jovem paciente com câncer de mama, para a qual ele não conseguiu nenhum tratamento que desse resultado.

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