Tipos de câncer

Câncer de figado

O câncer de fígado pode se desenvolver no próprio órgão ou como metástase de tumor em outra região. Doenças hereditárias no órgão, infecções crônicas, como as causadas pelas hepatites B e C, cirrose e diabetes podem desencadear o tumor.
6 min de leitura
por: Grupo Oncoclínicas
Câncer de figado
O câncer de fígado pode se desenvolver no próprio órgão ou como metástase em outra região, motivado por doenças hereditárias e infecções crônicas.

O que é o câncer de figado

O câncer de fígado ocorre quando as células hepáticas desenvolvem alterações em seu DNA. O DNA celular é o material que fornece instruções para cada processo químico que ocorre em nosso organismo. As mutações no DNA podem causar mudanças nessas instruções. Como resultado, as células podem começar a crescer desordenadamente e formar um tumor, que nada mais é do que um aglomerado de células cancerosas.

O fígado tem o seu tamanho de uma bola de futebol americano localizado na parte superior direita do abdômen. Existem dois tipos de câncer que podem acometê-lo: aquele que começa nele próprio, chamado de tumor primário, e o que tem origem em outro órgão e, conforme evolui, atinge o fígado, sendo denominado secundário ou metastático.

Câncer de Fígado: Estatísticas

O câncer de fígado é muito mais comum em países da África Subsaariana e do Sudeste Asiático mas a Sociedade Americana de Câncer estima que em 2023 cerca de 41.630 novos casos (28 mil em homens e 13.630 em mulheres) de câncer de fígado primário e colangiocarcinoma intra-hepático tenham sido diagnosticados naquele país.

 As taxas de incidência (novos casos) de câncer do fígado mais do que triplicaram desde 1980, enquanto as taxas de mortalidade mais do que duplicaram durante este período. Segundo o INCA, o número estimado de casos novos de câncer de fígado para o Brasil, para cada ano do triênio de 2023 a 2025, é de 10.700 casos, ocupando a 15ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes, com as taxas de incidência mais altas observadas na Região Sul, tanto para homens quanto para mulheres. 

No mundo, mais de 900 mil pessoas são diagnosticadas com esse tipo de neoplasia anualmente. Ela também lidera o número de mortes relacionadas ao câncer, respondendo por mais de 830 mil óbitos por ano. 

Os fatores de risco para o câncer de fígado são:

  • Infecção crônica causada pelos vírus da hepatite B ou C;
  • Cirrose (inflamação crônica no fígado);
  • Algumas doenças hepáticas hereditárias, como hemocromatose e doença de Wilson;
  • Diabetes;
  • Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), que causa acúmulo de gordura no fígado;
  • Exposição a aflatoxinas (venenos produzidos por fungos que crescem em alimentos que não são armazenados corretamente e ficam expostos à umidade, como alguns tipos de grãos e castanhas); e
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Tabagismo;
  • Uso de esteróides anabolizantes.

Os fatores que podem proteger contra o câncer de fígado são:

  • Vacinação contra hepatite B;
  • Tratamento adequado das hepatites virais;
  • Evitar uso de álcool e cigarro;
  • Hábitos de vida saudáveis como dieta de qualidade e atividade física regular.

Tipos de câncer de fígado

O carcinoma hepatocelular, que começa nos hepatócitos (células localizadas no fígado), é o tipo mais comum de câncer de fígado. Ele ocorre com maior frequência em indivíduos com doenças hepáticas crônicas, como a cirrose, que pode ser causada pela infecção decorrente da hepatite B ou hepatite C, esteato-hepatite, alcoolismo, entre outros fatores.

Outras neoplasias também podem ocorrer:

  • Colangiocarcinoma intra-hepático – nascido nos ductos biliares do fígado;
  • Hepatoblastoma – neoplasia rara que atinge recém-nascidos e crianças nos primeiros anos de vida; e
  • Angiossarcoma – câncer igualmente raro que se origina nos vasos sanguíneos do fígado.

Sintomas e sinais do câncer de fígado

A maioria das pessoas não apresenta sinais e sintomas nos estágios iniciais do câncer primário de fígado. Quando eles estão presentes, podem se manifestar das seguintes maneiras:

  • Emagrecimento sem causa identificável;
  • Perda do apetite;
  • Dor na parte superior do abdômen;
  • Náusea e vômito;
  • Sensação de fraqueza e fadiga;
  • Inchaço abdominal (ascite);
  • Presença de massa abdominal;
  • Surgimento de icterícia, que é caracterizada pela coloração amarelada da pele e no interior dos olhos; e
  • Fezes brancas e com aparência de giz.

Diagnóstico do câncer de fígado

Geralmente é difícil diagnosticar o câncer de fígado precocemente, pois seus sinais e sintomas não costumam aparecer antes que esteja já em uma fase avançada da doença.

Os testes de rastreamento para câncer de fígado não são amplamente recomendados para a população geral. Isso significa que não se deve solicitar exames (processo chamado de triagem) em pessoas que não apresentem sintomas. Mas os testes podem, sim, ser recomendados para alguns indivíduos com maior risco, como os que têm cirrose, hemocromatose (acúmulo de ferro no organismo) ou infecção crônica por hepatite B.

A depender dos sintomas e da suspeita médica, os exames costumam incluir:

  • Exames laboratoriais, como o de sangue, que avaliam a alfa-fetoproteína (AFP, um marcador tumoral);
  • Exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética, para visualizar a existência de tumores, sua extensão e se eles se espalharam para outras partes do corpo;
  • Biópsia do fígado, em que uma agulha é colocada dentro da lesão para retirar um pedaço para análise no microscópio que determina se ele é maligno ou benigno;
  • Cirurgia laparoscópica exploratória, que permite visualização direta do órgão e realização de biópsia.

Tratamento 

Uma vez que o câncer de fígado é diagnosticado e avaliado pelos exames iniciais ele pode ser classificado em estágios que vão desde doença muito inicial até avançada. O tratamento varia conforme o estágio da doença.

Doença em estágios mais iniciais são passíveis de cura com procedimentos como:

  • cirurgia;
  • ablação;
  • embolização;
  • transplante do fígado. 

A abordagem mais indicada quando o tumor está restrito apenas a uma parte do fígado (tumor primário) é a sua ressecção (remoção cirúrgica). No entanto, alguns pacientes com cirrose não toleram a retirada de parte do fígado e, nestes casos, podem ser necessários outros tipos de tratamento (ablação, quimioembolização, radioterapia, transplante de fígado), a depender do tamanho, número de lesões e outras características.

Em alguns casos, as metástases de outros tumores que foram parar no fígado também podem ser operadas com intenção de cura, geralmente após a ressecção do tumor inicial de onde a metástase surgiu. 

Outras importantes opções de tratamento incluem:

Para doença em estágios avançados os tratamentos visam controle da doença com melhora dos sintomas e da qualidade de vida, prolongando a vida do doente. Esses tratamentos incluem:

  • Imunoterapia – consiste no uso de medicamentos que ajudam o próprio sistema imunológico da pessoa a identificar e destruir as células cancerosas;
  • Terapias-alvo – medicamentos que entram na corrente sanguínea e se espalham por quase todas as áreas do corpo, combatendo o câncer. Elas costumam ser bem mais eficazes que a quimioterapia no câncer primário do fígado
  • Quimioterapia – um ou mais medicamentos específicos entram na corrente sanguínea para eliminar as células cancerosas atacando o seu DNA, mas de forma mais específica, ou seja, podem também atacar outras células não cancerosas (o que causa mais efeitos colaterais).

Prevenção

Para prevenir qualquer tipo de câncer, é importante evitar seus fatores de risco. No caso do câncer de fígado, é importante ser vacinado contra a hepatite B, prevenir-se contra a hepatite C (utilizando preservativos nas relações sexuais,

Além de, não compartilhando objetos perfurocortantes, como agulhas, tendo cuidado com as medidas de higiene e esterilização em manicures e tatuadores) e evitar fatores que possam desencadear a cirrose, como o consumo exagerado de álcool e o excesso de peso.

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