Tipos de câncer

Leucemia em Crianças

A leucemia em crianças é um tipo de câncer que tem origem nas células-tronco da medula óssea onde são produzidos os glóbulos brancos, vermelhos e as plaquetas. Em crianças e adolescentes, as leucemias representam o tipo mais comum de câncer. Saiba mais.
7 min de leitura
por: Grupo Oncoclínicas
Leucemia em Crianças
As leucemias representam o tipo mais comum de câncer em crianças e adolescentes. Elas se desenvolvem nas células-tronco da medula óssea.

A leucemia é uma doença maligna das células sanguíneas, notável pelo acumulo de células jovens anormais, conhecidas como blastos. Essas células anormais substituem as células sanguíneas normais na medula óssea e podem Infiltrar em outros órgãos como gânglios linfáticos, baço, fígado, sistema nervoso central, testículos, pele e olhos.

Entre crianças e adolescentes, a leucemia é o câncer mais comum, principalmente suas formas agudas. A incidência estimada é de 3 a 4 casos a cada 100 mil crianças menores de 15 anos, atingindo seu pico entre os 2 e 5 anos de idade.

Subtipos de leucemia em crianças

As leucemias podem ser classificadas de acordo como tipo celular acometido sendo chamada de linfoide ou mieloide quando os linfocitos ou mielocitos jovens ou imaturos são os responsaveis pela origem da leucemia respectivamente.

Tambem podem ser classificadas como aguda quando as celulas jovens e imaturas multiplicam desordenamente ou cronica quando há uma multiplicação rápida e desordenada de células diferenciadas ou seja maduras.

Os principais subtipos de leucemia aguda são:

  • Leucemia Linfocítica Aguda (LLA): Dentre as leucemias, esta é a mais comum na infância e adolescência. Quando diagnosticada precocemente tem alta probabilidade de sobrevida, acima de 80%, quando tratada adequadamente;
  • Leucemia Mieloide Aguda (LMA): Embora seja um subtipo raro na criança, é o segundo tipo mais comum dentre as leucemias na infância. Tem uma evolução rápida e portanto o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível após o diagnostico;
  • Leucemias de linhagem mista (indiferenciadas): Este tipo raro de leucemia tem como característica a presença de células de linhagem linfoide e mieloide;
  • Leucemias crônicas: Raras em crianças. A principal característica é a superprodução celular com a característica de alcançar o estágio maduro das células. A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é diagnosticada em aproximadamente de 3% a 4% das crianças;
  • Leucemia Mielomonocítica Juvenil (JMML): Tipo raro de leucemia acometendo no maximo 3% das crianças. Esta dentro do grupo de doenças mieloproliferativas/ mielodisplasicas e não é classificada como aguda ou crônica.

Sintomas e sinais da leucemia em crianças

Os principais sintomas da leucemia em crianças são: 

  • Dor nas pernas e articulações;
  • Sensação de cansaço extremo (fadiga);
  • Febre;
  • Palidez;
  • Manchas roxas (equimoses) e/ou pintinhas vermelhas (petéquias) na pele;
  • Hemorragias;
  • Aumento dos gânglios linfáticos ou ínguas;
  • Dor abdominal (causada por aumento do fígado ou do baço);
  • Cefaleia;
  • Vômitos;
  • Aumento de volume dos testículos;
  • Nódulos subcutâneos;
  • Falta de apetite contínua; e
  • Perda de peso sem motivo aparente.

Vários sintomas da leucemia podem ser comuns a outras doenças. Por isso, é importante estar atento ao conjunto deles e procurar ajuda médica o mais rápido possível quando eles se manifestarem.

Diagnóstico da leucemia em crianças

Diante destes sintomas, procure imediatamente um médico que pode ser o pediatra ou um hematologista ou oncologista pediatra. Este profissional vai fazer a história clínica e o exame físico inicial em busca de sinais e sintomas suspeitos de leucemia. Será solicitado um hemograma que poderá evidenciar alterações sanguíneas sugestivas tais como presença de glóbulos brancos aumentados ou diminuídos, anemia e plaquetas baixas. Às vezes o sangue já mostra a presença de células da leucemia chamada blastos.

A seguir, o paciente deve ser encaminhado para exames específicos a fim de obter um diagnóstico correto e preciso da doença oncológica. Veja alguns detalhes deles:

  • Mielograma: identifica a presença de células blásticas em número aumentado na medula óssea. Também é realizado durante o tratamento, para avaliar a resposta do organismo;
  • Citometria de fluxo e imuno-histoquímica: realizada com a amostra de medula óssea ou outros líquidos corporais, possibilita tanto a classificação da leucemia quanto o acompanhamento da resposta ao tratamento;
  • Cariótipo ou citogenética (avaliação dos cromossomos): na amostra de medula óssea é realizada a análise cromossômica com o objetivo de identificar alterações genéticas que determinam risco de recaída da doença, além de determinar tratamentos específicos de acordo com mutações genéticas encontradas; e
  • Biologia molecular: mais sensível do que o cariótipo, avalia as mutações genéticas que ocorrem nos cromossomos. 

Se o resultado do mielograma não for conclusivo ou a aspiração da medula óssea não oferecer uma amostra suficiente para o exame, pode ser necessária a biópsia do osso, em que um fragmento ósseo é retirado com agulha própria. 

Também pode ser necessário o exame do líquor. Para o procedimento, uma pequena agulha é introduzida no espaço entre os ossos da coluna na altura da bacia e é feita uma punção lombar para aspirar o líquido cefalorraquidiano (líquor), que circula ao redor do cérebro e da medula espinhal. O objetivo deste exame é identificar a presença de células leucêmicas no sistema nervoso central.  

A punção lombar também é realizada para administrar medicamentos quimioterápicos no espaço da medula espinhal com o objetivo de prevenir ou tratar a leucemia caso ela esteja presente no sistema nervoso central. 

Exames de imagem também são solicitados para o diagnóstico da leucemia em crianças. As radiografias, ultrassonografias, tomografias e ressonâncias magnéticas, entre outros exames, são realizadas para avaliar a extensão da doença e se há espalhamento para outros órgãos e partes do corpo. 

Tratamento 

O tratamento das leucemias segue um protocolo específico, de acordo com o tipo da doença. É realizado por meio de quimioterapia, imunoterapia associada ou não à radioterapia e ao transplante de medula óssea. A duração do tratamento varia de caso para caso. 

Entenda como cada procedimento pode ser útil no tratamento da leucemia em crianças:

  • Quimioterapia: sua ação tem o objetivo de destruir as células doentes. Seus possíveis efeitos adversos são náusea, vômitos, queda do cabelo, mucosites (lesões em variados graus na mucosa do trato gastrointestinal e diarreia. É administrada por via venosa, oral, intramuscular ou subcutânea.
  • Radioterapia: pode ser utilizada como tratamento principal da leucemia (por exemplo: quando está localizada no testículo), como tratamento para diminuir a massa do tumor antes do tratamento definitivo ou como tratamento preventivo para evitar a recaída da doença. A radioterapia está indicada no protocolo realizado antes do transplante de medula, chamado de condicionamento. Os efeitos colaterais mais comuns que podem ocorrer na região irradiada são queda de cabelo, náusea, vômito, diarreia e fadiga;
  • Imunoterapia: tratamento biológico mais recente, com versões ainda em estudo e com indicações específicas. Utiliza medicamentos que potencializam o sistema imunológico do próprio paciente, fazendo com que este reconheça o tumor como um agente agressor e o destrua; e 
  • Transplante de células-tronco hematopoiéticas: a célula-tronco é a responsável pela formação das células do sangue e fica dentro da medula óssea; também é chamada de tutano do ósseo. Em situações específicas, o transplante de célula-tronco será indicado e será necessária a pesquisa do doador compatível. Ao ser encontrado, seja na família ou no banco de medula óssea, o paciente receberá quimioterapia, associada ou não à radioterapia, antes de receber a medula óssea  que será infundida  como uma transfusão em uma veia calibrosa. 

 

É importante que todas as opções de tratamento sejam sempre discutidas com o médico, bem como sua eficácia e seus possíveis efeitos colaterais, para ajudar a tomar a decisão que melhor se adapte às necessidades de cada paciente.

Prevenção

Não há como prevenir ou realizar exames de sangue ou outros testes de triagem para a maioria das crianças como forma de rastrear a leucemia antes que ela comece a causar sintomas que levem a uma consulta médica. A melhor maneira de detecção precoce é prestar atenção aos possíveis sinais da doença e procurar ajuda imediatamente ao percebê-los.

 Existem algumas condições genéticas, como a síndrome de Li-Fraumeni ou a síndrome de Down, que predispõem à doença. Tal predisposição também pode ocorrer em crianças que já tenham sido tratadas com quimioterapia e/ou radioterapia para outros tipos de câncer e em crianças que fizeram transplantes de órgãos e estão em uso de medicamentos supressores do sistema imunológico. O risco de leucemia nestas crianças, embora maior do que na população em geral, ainda é pequeno.

Leucemia em crianças tem cura? 

A dúvida de muitos pacientes e seus familiares é com relação à cura. A leucemia em crianças pode ser tratada com sucesso em muitos casos, e a maioria das crianças diagnosticadas com leucemia tem boas perspectivas de cura. É essencial ressaltar que fatores individuais, como prognóstico, estágio da doença e outras condições, devem ser levados em consideração.

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