Blog

Guia do câncer de pele: mitos, sinais de alerta e como se proteger

Guia do câncer de pele: mitos, sinais de alerta e como se proteger

O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no Brasil¹ e, apesar de ter alto potencial de prevenção, ainda está cercado de dúvidas, hábitos inadequados e percepções equivocadas sobre proteção solar.

Embora os cuidados devam ser mantidos o ano inteiro, é no verão, quando a exposição à radiação UV aumenta, que essa atenção precisa ser redobrada – e não se limita apenas ao protetor solar.

Entender quando buscar um dermatologista, como proteger a pele em diferentes ambientes, o papel dos cosméticos e os riscos para todos os tons de pele é essencial para reduzir a exposição, identificar alterações precocemente e adotar uma relação mais segura com o sol em todas as estações.

 

Quando procurar um dermatologista para o diagnóstico do câncer de pele

Consultar um dermatologista regularmente é uma das formas mais eficazes de detectar alterações precoces, muitas delas imperceptíveis a olho nu. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele representa cerca de 30% de todos os tumores malignos diagnosticados no país. Então, quanto mais cedo identificado, maiores as chances de tratamento simples e altamente eficaz.

Mas afinal, quando é o momento certo para procurar esse especialista?

Checagem anual da pele

Mesmo sem sintomas, recomenda-se que adultos façam um exame dermatológico de rotina ao menos uma vez por ano. Esse acompanhamento permite mapear pintas, manchas e lesões suspeitas, além de identificar mudanças sutis ao longo do tempo. Pessoas com muitos nevos (pintas), pele clara, histórico de queimaduras solares ou exposição intensa ao sol podem precisar de consultas mais frequentes.

Histórico pessoal ou familiar de câncer de pele

Quem já teve câncer de pele (melanoma ou não melanoma) deve manter vigilância contínua, pois o risco de um novo tumor é maior.

Isso também vale para quem possui familiares de primeiro grau com histórico da doença, especialmente nos casos de melanoma. O dermatologista consegue orientar estratégias personalizadas de rastreamento, de acordo com o risco individual.

Alterações na pele que não cicatrizam

Feridas que não cicatrizam após semanas, descamações persistentes, manchas que coçam ou sangram e nódulos que crescem com o tempo são sinais de alerta.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) ressalta que essas manifestações podem indicar carcinomas basocelulares ou espinocelulares.

Mudança em pintas ou manchas já existentes

Alterações em formato, cor, espessura, bordas ou diâmetro devem ser avaliadas rapidamente. A regra do ABCDE do melanoma – Assimetria, Bordas irregulares, Cor variável, Diâmetro maior que 6 mm e Evolução da lesão – é um guia importante, mas não substitui a avaliação profissional2.

Exposição solar intensa ou queimaduras frequentes

Pessoas que passaram por episódios repetidos de queimaduras solares ao longo da vida, especialmente na infância, apresentam maior risco futuro de câncer de pele¹.

Por isso, quem teve histórico de queimadura solar deve considerar acompanhamento dermatológico preventivo.

Profissionais ou rotinas de alto risco

Certas atividades aumentam o risco: trabalhadores ao ar livre, atletas, pescadores, agricultores, salva-vidas, além de quem fez uso frequente de câmaras de bronzeamento artificial (que são proibidas no Brasil desde 2009 pela ANVISA devido ao risco elevado de câncer de pele).

Como se cuidar no verão além do protetor solar

No verão, o protetor solar costuma ser o protagonista da proteção contra o câncer de pele. De fato, ele é indispensável. Porém, confiar apenas nele não é suficiente: as principais organizações de saúde reforçam que a fotoproteção efetiva é sempre um conjunto de medidas, e não uma única estratégia.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a radiação ultravioleta (UV) está associada à maior parte dos casos de câncer de pele no Brasil, e o risco aumenta significativamente durante os meses mais ensolarados.

Por isso, além do filtro solar, alguns cuidados extras são essenciais para reduzir a exposição e preservar a saúde da pele ao longo de todo o verão:

Priorizar a sombra e evitar horários de pico

Entre 10h e 16h, a intensidade dos raios UV atinge seus valores mais altos².

Buscar sombra nesse intervalo, seja sob árvores, guarda-sóis, tendas ou áreas cobertas, reduz consideravelmente a dose de radiação acumulada na pele. No entanto, é importante lembrar que a sombra não bloqueia a radiação totalmente: a areia, a água e até o concreto refletem a luz, mantendo parte da exposição.

Usar roupas com proteção física (inclusive com FPU/UFP)

Roupas adequadas são uma das formas mais eficazes de proteção. Tecidos mais encorpados, de trama fechada ou com tecnologia de proteção ultravioleta (UPF/FPU) bloqueiam os raios UV de forma mais estável³.

Camisas de manga longa, camisetas com gola alta, saídas de praia, calças leves e chapéus de aba larga ajudam a proteger áreas frequentemente negligenciadas, como pescoço, orelhas e ombros.

Óculos escuros com proteção UV

Os olhos também sofrem com a radiação solar. Exposição frequente aumenta o risco de catarata, degeneração macular e até tumores oculares⁴. Modelos com proteção UVA e UVB certificada (e lentes de tamanho maior) são recomendados.

Hidratação contínua

O calor intenso favorece desidratação, que afeta diretamente a barreira cutânea. A pele desidratada se torna mais sensível, descama com mais facilidade e pode sofrer queimaduras de forma mais rápida.

Beber água ao longo do dia, usar hidratantes corporais e evitar banhos muito quentes contribuem para a recuperação da pele após a exposição solar.

Reaplicação do protetor solar

A reaplicação a cada 2 horas (ou após mergulhos e suor excessivo) é fundamental. É comum encontrarmos pessoas que utilizam uma quantidade menor de protetor do que a recomendada, o que reduz drasticamente seu FPS real.

O melhor cuidado, portanto, é sempre a combinação de estratégias, todas trabalhando juntas para reduzir o impacto da radiação na pele.

Protetor com cor, protege mesmo contra o câncer de pele?

Sim! E, em muitos casos, ele protege melhor do que o protetor sem cor.

Embora ambos ofereçam proteção contra os raios ultravioleta (UVA e UVB), os protetores com cor têm um diferencial importante: eles também protegem contra a luz visível, especialmente a luz visível de alta energia (HEV), emitida pelo sol e por dispositivos como computadores, celulares e lâmpadas LED5.

A luz visível, assim como a radiação UV, pode causar danos relevantes à pele. Estudos mostram que ela contribui para o fotoenvelhecimento, para quadros de melasma e para inflamações em pessoas com peles mais escuras, aumentando a produção de melanina e agravando manchas.

É por isso que dermatologistas frequentemente recomendam protetores com cor para ampliar a fotoproteção ao longo do dia. Os protetores com cor contêm pigmentos minerais, como óxido de ferro e dióxido de titânio, que formam uma barreira física sobre a pele capaz de absorver e dispersar a luz visível³.

Em resumo, o uso de protetores com cor acaba sendo especialmente benéfico para:

  • pessoas com melasma;
  • quem tem hiperpigmentação pós-inflamatória;
  • pessoas expostas à luz artificial durante muitas horas por dia.

Importante frisar que, assim como o protetor sem cor, a versão com cor deve ser usada em conjunto com barreiras físicas (roupas, chapéus, etc.), cuidados diários de hidratação e limpeza e reaplicação a cada 2-3 horas.

Maquiagem substitui protetor com cor?

Bases e BB creams que contêm óxido de ferro ajudam a bloquear parcialmente a luz visível, mas geralmente não oferecem um FPS adequado nem proteção estável contra UVA.

Por isso, o ideal é aplicar o protetor com cor como primeira camada e usar maquiagem por cima para reforçar o efeito.

O que são as siglas do protetor solar (UVA, UVB, FPS, PPD, PA)?

Escolher um protetor solar pode ser confuso diante de tantas siglas presentes nos rótulos. Porém, entender o que cada uma delas significa é essencial para garantir uma fotoproteção realmente eficaz.

UVB: a radiação que causa queimaduras solares

Os raios UVB são responsáveis pelo bronzeamento e, principalmente, pelas queimaduras solares, aquelas que deixam a pele vermelha, sensível e ardendo. Eles atingem a camada mais superficial da pele (epiderme) e têm relação direta com o desenvolvimento do câncer de pele não melanoma.

Embora representem apenas cerca de 5% da radiação ultravioleta que chega à Terra, são altamente energéticos e variam conforme o horário e a estação do ano, sendo muito mais intensos no verão.

UVA: a radiação que penetra mais profundamente

Os raios UVA penetram camadas mais profundas da pele (derme) e estão associados a:

  • envelhecimento precoce,
  • manchas,
  • perda de elasticidade,
  • e também ao desenvolvimento de câncer de pele.

Diferente dos UVB, os raios UVA estão presentes durante todo o dia, inclusive em dias nublados e em ambientes internos próximos a janelas.

FPS: Fator de Proteção Solar

O FPS (Fator de Proteção Solar) indica quanto o protetor protege contra os raios UVB.

Por exemplo: FPS 30 significa que a pele demora 30 vezes mais para apresentar vermelhidão do que sem proteção.

No Brasil, dermatologistas e a SBD recomendam FPS 30 ou maior para uso diário, e FPS mais altos (50 ou mais) para exposição intensa ou prolongada.

PPD: proteção contra UVA em profundidade

O PPD (Persistent Pigment Darkening) avalia quanto o produto protege contra a radiação UVA.

É um índice muito importante, pois ajuda a prevenir danos celulares profundos, surgimento de manchas e o envelhecimento cutâneo acelerado.

Como regra geral, recomenda-se que o PPD seja um terço do valor do FPS. Exemplo: FPS 30 → PPD mínimo de 10.

PA: classificação asiática de proteção UVA

A sigla PA é usada principalmente em produtos asiáticos e significa Protection Grade of UVA.

A escala funciona assim:

  • PA+ – baixa proteção UVA
  • PA++ – proteção moderada
  • PA+++ – alta proteção
  • PA++++ – proteção extremamente alta

No Brasil, é comum encontrar protetores importados com essa nomenclatura, e ela é equivalente ao PPD.

Entender essas siglas é importante porque um protetor só é realmente completo quando protege contra UVA e UVB simultaneamente, ou seja, quando apresenta FPS e PPD (ou PA).

Proteção em dias nublados e ambientes fechados

A radiação ultravioleta (UV) não desaparece quando o céu está encoberto, e parte dela também chega aos ambientes internos. Por isso, a fotoproteção diária é indispensável, independentemente do clima ou da rotina, combinado?

Mesmo em dias totalmente nublados, até 80% dos raios UV podem atravessar as nuvens3. As nuvens filtram pouco a radiação UVA, que penetra profundamente na pele e está associada ao fotoenvelhecimento, às manchas e ao câncer de pele.

Ou seja: se há claridade, há radiação UV.

E como a radiação UVA se mantém praticamente constante ao longo do dia, inclusive no inverno, ignorar o protetor nesses momentos significa exposição contínua.

Ambientes internos também oferecem risco

Mesmo dentro de casa ou no escritório, ainda podemos nos expor a radiação prejudicial:

1. Janelas deixam passar UVA

O vidro comum bloqueia quase todos os raios UVB, mas permite passagem significativa dos UVA.

Por isso, quem trabalha próximo a janelas ou dirige longas distâncias fica exposto diariamente a uma radiação capaz de causar manchas, fotoenvelhecimento e alterações celulares associadas ao câncer de pele.

2. Luz visível e luz azul também afetam a pele

Como vimos, a luz emitida por computadores, celulares e lâmpadas LED pode agravar manchas e melasma, especialmente em peles mais escuras.

A proteção precisa ser diária.

Câncer de pele em diferentes tons de pele

O câncer de pele afeta todos os tons de pele, do fototipo I ao VI, mas a percepção de risco não é a mesma. Pessoas de pele escura frequentemente subestimam sua vulnerabilidade à doença.

Embora a melanina ofereça realmente uma camada adicional de defesa contra os raios ultravioleta (UV), ela não impede o desenvolvimento de câncer de pele.

E o ponto mais importante: quando o câncer de pele surge em peles escuras, ele tende a ser diagnosticado mais tardiamente, o que está associado a desfechos mais graves.

Pessoas negras também têm câncer de pele, e podem ter formas mais agressivas

Estudos mostram que indivíduos com fototipos mais altos desenvolvem com maior frequência o melanoma acral lentiginoso, um tipo de melanoma raro, porém mais agressivo, que surge principalmente em regiões como plantas dos pés, palmas das mãos, unhas e áreas de atrito ou regiões menos expostas ao sol.

Esse tipo de melanoma não está diretamente relacionado à exposição solar, o que reforça a importância do autoexame e da vigilância profissional em todos os tons de pele.

A falsa sensação de segurança

Mesmo que a melanina reduza parcialmente os danos UV, pessoas de pele escura ainda podem desenvolver carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma em diferentes subtipos.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta que a radiação solar continua sendo um fator de risco consistente para todos os tons de pele, não apenas para aqueles com fototipo baixo.

Sinais que merecem atenção em peles escuras

Em tons de pele mais escuros, sinais tradicionais de alerta podem se manifestar de formas diferentes. Alguns pontos importantes são:

  • manchas escuras que aumentam de tamanho
  • alterações em pintas já existentes
  • listras escuras sob as unhas
  • feridas que não cicatrizam

Autoexame é para todos

A recomendação é clara: todas as pessoas de todos os tons de pele devem se observar atentamente e procurar o dermatologista ao notar qualquer alteração persistente ou suspeita.

Áreas menos óbvias, como couro cabeludo, orelhas, axilas, entre os dedos e genitais, também devem ser observadas com atenção.

Relação entre o alto uso de cosméticos e o câncer de pele

Com a popularização de maquiagens, séruns, bases de alta cobertura, autobronzeadores e procedimentos estéticos caseiros, é comum surgir a dúvida: o uso frequente de cosméticos pode causar câncer de pele?

A resposta curta é: não existe evidência científica de que cosméticos aprovados por órgãos reguladores causem câncer de pele. No entanto, o uso inadequado, a combinação com exposição solar intensa e a aplicação de substâncias não regulamentadas podem aumentar risco de irritações, inflamações e danos cutâneos que merecem atenção.

Cosméticos regulamentados não causam câncer de pele

Produtos liberados por órgãos regulatórios como ANVISA, FDA ou EMA passam por avaliações de segurança antes de chegar ao consumidor. Esses testes incluem fototoxicidade, potencial alergênico, estabilidade química e risco de sensibilização.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e grandes sociedades de dermatologia, não há relação direta entre o uso de maquiagens, hidratantes, filtros solares ou produtos capilares e o desenvolvimento de câncer de pele.

O principal fator de risco continua sendo a radiação ultravioleta.

Uso de ácidos exige atenção redobrada ao sol

Produtos com ácidos, como retinoides, ácido glicólico, ácido salicílico e ácido mandélico podem deixar a pele mais sensível à radiação UV.

Estudos mostram que sua combinação com exposição solar sem fotoproteção adequada aumenta o risco de queimaduras solares e dano celular7.

Mais uma vez: não é o ácido que causa câncer, mas sim o dano solar não protegido.

Autobronzeadores não aumentam risco, mas não substituem proteção solar

Autobronzeadores aprovados são considerados seguros e não existem estudos associando-os ao câncer de pele. No entanto, eles não oferecem nenhum FPS. O “bronze” obtido é apenas cor superficial, sem aumento da melanina protetora.

Bronzeamento artificial, por outro lado e como já alertamos aqui, é comprovadamente carcinogênico e proibido no Brasil.

Prevenir o câncer de pele é um compromisso diário, que começa com informação de qualidade e escolhas conscientes.

Ao compreender como a radiação age, quais cuidados são indispensáveis e quando procurar ajuda especializada, cada pessoa fortalece seu papel na detecção precoce e na proteção da própria saúde.

A campanha Verão Laranja é um convite para repensar rotinas, ampliar a fotoproteção e adotar práticas que permanecem para além da estação. Afinal, cuidar da pele hoje é investir em qualidade de vida e bem-estar no futuro.

 

Fontes:

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA)
  2. National Cancer Institute (NIH)
  3. Skin Câncer Foundation
  4. American Academy of Ophthalmology
  5. Sociedade Brasileira de Dermatologia
  6. Jornal da Unicamp
  7. Journal of Social Issues and Health Sciences

Conteúdo revisado por:

SABRINA DE  STEFANI

SABRINA DE STEFANI

25789RS
Porto Alegre
Especialidade:
  • DERMATOLOGIA
Local de atendimento:
  • ONCOCLÍNICAS MOINHOS DE VENTO
Saiba mais
Clique aqui e fale direto com a OCPM