Câncer de Ovário

O exame de Papanicolau detecta câncer de ovário?

Não. O exame de Papanicolau apenas detecta o câncer de colo do útero. O câncer de ovário é o tumor ginecológico mais difícil de ser descoberto. A avaliação inicial é feita por meio da ultrassonografia de abdômen e pelve ou o exame transvaginal e a tomografia computadorizada de abdômen e pelve. De acordo com os resultados, o médico pode pedir uma biópsia do tecido ovariano para o diagnóstico definitivo.

Mulheres com ovário policístico têm maior probabilidade de ter câncer de ovário?

Várias linhas de pensamento sugerem a existência de uma correlação entre a presença da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e a elevação do risco de desenvolvimento do câncer de ovário. Existem poucos estudos considerando essa associação e seus resultados são conflitantes.

Por um lado, alguns autores defendem que a anovulação propriamente dita, principal consequência da SOP, está relacionada ao desenvolvimento de neoplasias malignas ovarianas. Outra corrente, no entanto, preconiza o extremo oposto. Segundo eles, o hiperfuncionamento dos ovários é que seria o grande vilão dessa história. Isso é, com o uso frequente de indutores da ovulação, prática comum no tratamento da infertilidade dessas mulheres, o risco de surgimento do câncer torna-se maior.

Seja por qual for o motivo, o fato é que aparentemente as pacientes portadoras de SOP são mais afetadas pelo problema. O risco é pequeno e não há recomendação formal de seguimento ostensivo desse subgrupo de mulheres.

Menopausa precoce favorece a incidência do câncer de ovário?

A primeira menstruação é um marco na vida da maioria das mulheres, pois representa o início da fase fértil. A menopausa, por sua vez, ocorre quando os ovários interrompem a produção de óvulos e representam o fim da capacidade reprodutiva feminina. Geralmente, ela ocorre entre os 40 e 50 anos de idade e, caso se instaure antes dos 40, é denominada menopausa precoce.

Com a falência ovariana, o organismo passa a produzir menores quantidades de hormônios sexuais femininos. O decréscimo nos índices de estrogênios e progesterona provoca irregularidades no ciclo menstrual. À medida que o tempo passa, as ovulações e menstruações ficam progressivamente mais escassas, até que um dia cessam. Os principais sintomas provocados por esse desequilíbrio hormonal incluem ondas de calor, sudorese noturna, secura vaginal, perda do apetite sexual, alterações de humor e insônia, entre outros.

O estrógeno exerce efeitos tróficos sobre todo o aparelho reprodutor feminino, incluindo útero, mamas e ovários. Jovens que menstruam pela primeira vez antes dos 12 anos e também mulheres que entram na menopausa tardiamente, após os 50 anos, permanecem mais tempo sob os efeitos proliferativos desse hormônio. Assim, por estimular o crescimento das mamas, do endométrio e por induzir atividade de ovulação, a exposição estrogênica prolongada está relacionada ao desenvolvimento de neoplasias, como o câncer de mama, de endométrio e de ovário.

Diante do que foi exposto, respondendo ao questionamento, em tese, a menopausa precoce exerce efeito oposto: ao interromper a produção estrogênica mais cedo, a mulher se submete por menos tempo aos seus efeitos estimulantes. O que a torna, de certa forma, mais protegida do desenvolvimento de neoplasias ovarianas. Outros fatores que na teoria reduzem o risco são: gravidez antes dos 26 anos de idade; ter levado pelo menos uma gravidez até o fim; amamentação e ligadura de trompas.

HPV pode causar câncer de ovário?

A infecção pelo Papiloma Vírus Humano (HPV) foi apontada como uma causa necessária para o desenvolvimento do câncer de colo uterino, recentemente. Tumores ovarianos estão entre os mais comuns e letais tipos de neoplasias do trato genital feminino e sua etiologia permanece desconhecida. Dessa forma, estabelecer sua relação com a infecção pelo HPV tem sido pauta de diversos estudos científicos, com resultados altamente controversos. Enquanto séries reportam ter encontrado um produto oncogênico derivado do vírus em cânceres de ovário, outras publicações são veementes em negar essa associação.

Até o momento, a presença do HPV se faz relevante, principalmente, nos órgãos diretamente envolvidos em relações sexuais, maneira pela qual é transmitido. Na maioria dos tumores de pênis, vulva, vagina, colo uterino, canal anal e cavidade oral, subtipos virais de alto risco são identificados. No entanto, à luz dos conhecimentos atuais, apesar da suspeita e dos resultados conflitantes, essa afirmativa ainda não pode ser comprovada para o câncer de ovário.

Toda mulher com câncer de ovário é estéril?

Em cerca de 75% dos casos de câncer de ovário o diagnóstico ocorre nos estágios III e IV, que são mais avançados. Para essas mulheres, uma cirurgia ampla, com retirada do útero, dos ovários e dos anexos uterinos torna-se a melhor estratégia terapêutica, e, ao mesmo tempo, torna-as incapazes de gerar um filho. Infelizmente, esse é o preço que se paga em busca das melhores chances de cura. Por sorte, a maioria dos diagnósticos é feito em pacientes com mais de 50 anos, em geral com família já estabelecida.

Algumas vezes, no entanto, quando tumores iniciais são identificados em mulheres que ainda não tiveram chance de conceber um filho, a remoção de apenas um dos ovários, o que preservaria a fertilidade, pode ser discutida. Esse é um assunto delicado e que envolve uma balança de riscos e benefícios potenciais. Cada caso é um desafio à parte e sua factibilidade deve ser individualizada. Para que tudo transcorra da melhor forma possível, é importante estar bem assessorada por uma equipe médica multidisciplinar e que tenha habilidade no manejo dessa situação.

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