Convivendo com o câncer

Cardio-oncologia

A cardio-oncologia trata do coração especialmente durante o tratamento do câncer, já que as toxinas dos medicamentos que combatem os tumores podem afetar o coração e aumentar o risco de morte e também de sequelas nos pacientes. Saiba mais
5 min de leitura
por: Grupo Oncoclínicas
Cardio-oncologia
A cardio-oncologia trata do coração durante o tratamento do câncer, pois as toxinas dos medicamentos que combatem os tumores podem afetar o órgão

Em decorrência do aumento da incidência do câncer e da maior sobrevida dos pacientes, a prevenção e o tratamento das doenças cardiovasculares nessa população vêm ganhando destaque. A cardiotoxicidade é uma das complicações mais significativas do tratamento do câncer, responsável por considerável morbimortalidade, ou seja, não só aumentando o risco de morte mas também de sequelas importantes para o paciente.

Atualmente, são essenciais para o cuidado adequado do paciente com câncer a identificação precoce do risco cardiovascular, a implementação de estratégias para redução de risco, o diagnóstico correto do problema cardiovascular e a instituição da terapêutica eficaz. Esse conjunto de medidas visa reduzir o risco de mortalidade e melhorar a qualidade de vida do paciente, sem interferir, se possível, no tratamento específico do câncer.

O que é cardiotoxicidade e principais sintomas

Cardiotoxicidade é o dano causado ao coração pelo tratamento oncológico, podendo ocorrer em decorrência de uma alteração ou dano no musculo cardíaco, ou no sistema elétrico do coração, por exemplo.  A lesão mais preocupante é a insuficiência cardíaca, que ocorre quando o  órgão torna-se mais fraco e não é tão eficiente em bombeamento o que compromete a circulação do sangue. Há outros efeitos do tratamento oncológico que acomete o paciente como insuficiência coronária aguda (infarto), hipertensão arterial, arritmias e eventos tromboembólicos.

Se o esquema de tratamento provoca trombose, que pode ser na perna ou mesmo embolia pulmonar, os sintomas incluem:

  • Respiração rápida, falta de ar, dor no peito e palpitações, na pulmonar
  • Inchaço em uma das pernas e vermelhidão, aumento da temperatura  no local e dor ao toque, na da perna

 

Já os sintomas da insuficiência cardíaca,   que ocorre quando o coração perde a força, são:

  • Inchaço nas pernas de forma simétrica
  • Falta de ar em atividades que antes eram realizadas normalmente
  • Falta de ar ao se deitar, que melhora ao sentar
  • Cansaço fácil

 

Tratamentos que podem causar cardiotoxicidade

Quimioterapia – não é o único tratamento que pode levar a problemas cardíacos, embora seja o mais comum entre as abordagens terapêuticas adotadas na oncologia. A toxicidade para o sistema cardiovascular é variável e depende do esquema terapêutico utilizado. Certas estratégias com quimioterápicos são diretamente tóxicas ao órgão, fazendo com que ele perca força, causando insuficiência cardíaca. Outros protocolos podem levar ao aumento da pressão arterial, ou a uma maior incidência de trombose ou alteração na circulação coronária – podendo causar infarto ou isquemia miocárdica, ou causar palpitação e arritmias. 

Radioterapia – quando realizada na região do tórax, pode causar um acometimento no pericárdio, que é uma membrana que envolve o coração. Dessa forma, ela pode ficar mais grossa e endurecer. Além de aumentar o risco de aterosclerose (placa de gordura nos vasos) que a longo prazo. Pode levar ao infarto. 

Imunoterapia – fármacos que estimulam o sistema de defesa do corpo a combater a neoplasia –  podem levar à miocardite, uma inflamação aguda no coração, e é possível que os anticorpos monoclonais causem uma lesão cardíaca.

A importância da avaliação precoce dos riscos

Para prevenir problemas ao coração, o ideal é que os pacientes oncológicos façam uma avaliação cardiológica completa antes de iniciarem a quimioterapia ou a radioterapia. Nessa avaliação, além dos exames clínicos, o médico poderá solicitar exames de sangue específicos, para avaliar os marcadores de saúde cardiovascular como as Troponinas e o BNP (Peptídeo Natriurético). Além desses, também poderá solicitar exames de imagens, como o ecocardiograma, para uma avaliação estrutural do coração.

Eletrocardiograma – Realizado rotineiramente na avaliação do paciente com fatores de risco para cardiotoxicidade. A detecção de arritmias ventriculares e supraventriculares, como a fibrilação atrial, é um alertar o clínico para  presença de lesão estrutural cardíaca.

Biomarcadores cardioespecíficos – É uma ferramenta útil na identificação precoce de lesão cardíaca por quimioterápicos. Exames de sangue podem detectar estes biomarcadores cardioespecíficos sugerindo potencial desenvolvimento de algum problema no coração.

Métodos de Imagem – Antes do início de uma quimioterapia cardiotóxica, são necessárias a avaliação e a quantificação da função ventricular por métodos de imagem. Essa mensuração deve ser feita por meio do ecodopplercardiograma. O médico poderá discutir com o paciente os possíveis esquemas quimioterápicos com menor risco cardiovascular. O ecocardiograma tem sido a opção mais utilizada pelo baixo custo, fácil acesso e caráter não invasivo.

Rotina saudável auxilia na prevenção   

É importante que mesmo após o diagnóstico de um câncer, o paciente sempre que possível mantenha uma rotina de atividade física e alimentação saudável. Os benefícios destes cuidados estão bem estabelecidos ao melhorar a qualidade de vida e reduzir significativamente o risco de desenvolver doenças cardiovasculares e metabólicas. Estilo de vida sedentário está associado ao aumento significativo no risco de obesidade, síndrome metabólica e eventos coronarianos.

Evidências atuais sugerem que o aumento da atividade física após o diagnóstico do câncer pode reduzir o risco de recorrência e de mortalidade. O câncer e seu tratamento estão associados a uma série de alterações metabólicas sistêmicas que podem comprometer de forma significativa a qualidade de vida e a expectativa de vida do paciente mesmo após a cura.

Que médicos devem orientar sobre cardio-oncologia

As orientações sobre os riscos de agentes quimioterápicos causarem problemas no coração devem ser passadas para o paciente inicialmente por seu oncologista. A avaliação e, se for o caso, o inicio de esquemas de prevenção de problemas cardíacos potencializados pelo tratamento deve ser feita por um cardio-oncologista.

Hoje em dia, há residências específicas em cardio-oncologia, que são cardiologistas de formação mas especialistas em pacientes oncológicos. Grandes centros especializados no tratamento oncológico possuem estes profissionais na equipe que acompanha o paciente.

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