Convivendo com o câncer

Oncofertilidade

5 min de leitura
por: Grupo Oncoclínicas
Oncofertilidade
A oncofertilidade traz opções para a preservação de fertilidade em jovens com doenças ou tratamentos oncológicos com riscos à fertilidade

O que é oncofertilidade

O termo oncofertilidade descreve uma área que conecta a oncologia à medicina reprodutiva, com o objetivo de desenvolver e aplicar novas opções para a preservação de fertilidade em jovens pacientes com doenças ou tratamentos com riscos à fertilidade. 

Um conceito mais recente da oncofertilidade remete ao uso de terapias mais conservadoras, que consigam preservar a fertilidade e proporcionar a mesma chance de cura do tratamento radical, principalmente naquelas neoplasias que envolvam o trato ginecológico, como colo de útero, ovário ou endométrio.

Dados reafirmam a importância crescente da área dentro da oncologia. No Brasil, cerca de 19% dos casos novos de câncer em mulheres ocorrem em pacientes de até 44 anos de idade, e 21% até os 49 anos, período considerado fértil para cerca de 90% das mulheres. Na faixa etária de 20 a 39 anos, alguns dos tumores mais incidentes são câncer de mama, colo uterino e ovário, todos podendo afetar a fertilidade.

Como a fertilidade do paciente oncológico pode ser afetada

O câncer e o seu tratamento não são, necessariamente, um impeditivo para que os pacientes que enfrentam a doença possam ter filhos. Novas técnicas para preservar a fertilidade e mesmo estratégias de combate à doença menos nocivas à capacidade de reprodução vêm ganhando espaço. Assim sendo, a ideia de que o tratamento para determinados tipos de câncer – como mama, ovário e útero – leva incondicionalmente à infertilidade não é mais uma realidade. 

Médicos devem orientar as pacientes a este respeito logo no início do tratamento, assim como as mulheres que desejem ter filhos precisam manifestar este interesse e conversar com a equipe médica sobre asS opções disponíveis para que sua fertilidade seja preservada. 

O tema é também de interesse dos homens que podem ter sua capacidade reprodutiva afetada diretamente por alguns cânceres ou seus tratamentos, como o de próstata e de testículos. 

Tratamentos que podem afetar a fertilidade em mulheres

Entenda o efeito que tratamentos contra o câncer podem ter sobre a fertilidade feminina:

  • Quimioterapia – a maioria dos medicamentos quimioterápicos pode danificar os óvulos da mulher. A intensidade desse dano dependerá da idade da mulher, dos tipos de medicamentos e doses administradas;
  • Transplante de células tronco – geralmente envolve altas doses de quimioterapia e, às vezes, radioterapia. Na maioria dos casos, este procedimento pode interromper permanentemente a ovulação;
  • Radioterapia – doses elevadas de radiação no abdômen ou pelve podem destruir alguns ou todos os óvulos, provocando infertilidade ou menopausa precoce;
  • Cirurgia – a histerectomia, cirurgia para remoção do útero, é parte do tratamento para alguns tipos de câncer, o que impede a geração de uma criança. Os ovários também podem ser removidos (ooforectomia) junto com o útero; e
  • Hormonioterapia – utilizada no tratamento do câncer de mama ou outros tipos, a hormonioterapia também pode afetar a capacidade de uma mulher de ter filhos. 

Tratamentos que podem afetar a fertilidade em homens

Entenda o efeito que tratamentos contra o câncer podem ter sobre a fertilidade masculina:

  • Quimioterapia – o tratamento do câncer durante a infância/adolescência pode danificar os testículos e sua capacidade de produzir espermatozoides. O risco de que a quimioterapia provoque infertilidade varia de acordo com idade do paciente, tipo de medicamento e doses administradas; 
  • Hormonioterapia – algumas hormonioterapias usadas no tratamento do câncer de próstata podem afetar a produção de espermatozoides. Esses medicamentos também podem provocar efeitos colaterais sexuais, como diminuição da libido e problemas com a ereção;
  • Transplante de células tronco – como o tratamento exige que o paciente receba altas doses de quimioterapia e, às vezes, radioterapia, ele pode impedir permanentemente a produção de espermatozoides;
  • Radioterapia – se a radioterapia for direcionada aos testículos, pode afetar a fertilidade. Mesmo quando o homem faz radioterapia para tratar um tumor na região do abdômen ou da pelve, os testículos podem receber uma dose de radiação suficiente para prejudicar a produção de espermatozóides; e
  • Cirurgia – os tipos de cirurgia que podem afetar a fertilidade do homem são orquiectomia (remoção de um testículo ou de ambos), remoção da próstata (afeta a produção de sêmen e a ejaculação ou danifica os nervos que permitem uma ereção), remoção da bexiga (cistectomia radical, que retira também a próstata) e outros procedimentos que possam interferir na ejaculação, como remoção dos linfonodos do abdômen.

Tratamentos para preservação da capacidade reprodutiva

São várias as opções, em homens e mulheres, que podem ser utilizadas para preservar a fertilidade em pacientes com câncer. Destacam-se:

  • Criopreservação de embriões, oócitos e espermatozóides – consiste na conservação de células por meio de processo de resfriamento e manutenção a cerca de 190°C negativos. Em temperaturas tão baixas, não há atividades metabólicas e as células encontram-se em estado de suspensão de suas reações químicas. O princípio básico da criopreservação é o de manutenção da viabilidade e da função celular após o descongelamento. Ela pode ocorrer em momentos diferentes, preservando embriões já fecundados ou os espermatozoides ou, ainda, os oócitos (células que são origem ao óvulo feminino); e
  • Ooforopexia – procedimento cirúrgico que visa deslocar os ovários do campo de radioterapia, usualmente acima da cavidade pélvica. É utilizado nos casos de tratamento radioterápico em órgãos pélvicos, como por exemplo, no câncer de colo de útero.

Existem também tratamentos experimentais que merecem atenção:

  • Criopreservação de tecido ovariano – envolve a remoção de uma parcela de tecido ovariano (ou até sua totalidade), com posterior uso de oócitos encontrados no tecido ou de folículos imaturos (posteriormente maturados em laboratório para fertilização in vitro); e
  • Transplante de tecido ovariano – neste processo, o tecido ovariano descongelado pode ser autotransplantado no ovário atrofiado ou no peritônio (ortotopicamente). Porém, a segurança nesta técnica torna-se uma preocupação, devido ao risco de recorrência da doença com a introdução de células cancerosas que possam estar presentes no tecido ovariano transplantado.
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