Brasil amplia protagonismo científico na ASCO 2026 com estudos sobre oncologia de precisão, saúde mental e cuidado centrado no paciente
Pesquisadores brasileiros levam a Chicago trabalhos sobre inteligência artificial, telemedicina, qualidade de vida, exercício físico, cuidados paliativos e medicina personalizada no maior congresso de oncologia do mundo
O Brasil chega à ASCO 2026 com uma participação científica cada vez mais robusta e diversificada. Entre os dias 29 de maio e 2 de junho, Chicago receberá a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), principal congresso mundial da especialidade, que neste ano deve reunir dezenas de milhares de especialistas e apresentar mais de 7 mil estudos científicos capazes de redefinir o futuro do tratamento do câncer.
Nesse cenário, pesquisadores brasileiros vinculados ao corpo clínico da Oncoclínicas apresentarão estudos que refletem uma transformação importante da oncologia contemporânea: o avanço de uma medicina cada vez mais personalizada, multidisciplinar e centrada na experiência global do paciente.
“Nossa crescente presença na ASCO reafirma o compromisso dos oncologistas brasileiros e da Oncoclínicas com a pesquisa e educação como pilares para uma saúde mais acessível e eficiente. Nossos especialistas contribuem ativamente para o avanço do conhecimento oncológico global, implementando inovações que beneficiam diretamente pacientes no Brasil e internacionalmente”, afirma Carlos Gil Ferreira, CEO da Oncoclínicas&Co.
A participação brasileira em 2026 envolve estudos conduzidos em diferentes regiões do país e contempla temas que vão desde oncologia molecular e inteligência artificial até saúde emocional, telemedicina, exercício físico e cuidados paliativos, áreas que ganham cada vez mais espaço dentro da oncologia global.
Saúde mental e qualidade de vida entram definitivamente no centro da oncologia
Entre os destaques brasileiros deste ano estão os estudos liderados pela psico-oncologista Cristiane Bergerot, líder nacional da especialidade equipe multidisciplinar da Oncoclínicas, que levará à ASCO discussões sobre sofrimento emocional, qualidade de vida e cuidado psicossocial em pacientes com câncer.
Em uma Sessão Educacional da programação oficial do congresso, Bergerot abordará os impactos emocionais e sociais dos cânceres de início precoce em adultos jovens. O tema discute como o diagnóstico em fases decisivas da vida, durante construção de carreira, planejamento familiar e formação da identidade, pode gerar consequências que ultrapassam o tratamento oncológico em si.
Outro estudo multicêntrico liderado por Bergerot avaliou mais de 2 mil pacientes de todas as regiões do Brasil para entender como o sofrimento emocional evolui ao longo do tratamento oncológico. Os resultados mostraram que, embora muitos pacientes permaneçam estáveis ou melhorem emocionalmente, uma parcela importante apresenta piora progressiva de ansiedade, depressão e qualidade de vida durante a jornada do câncer.
Os achados reforçam uma tendência crescente da oncologia moderna: incorporar triagem contínua de sofrimento emocional e estratégias psicossociais personalizadas como parte da rotina assistencial.
Telemedicina e cuidados paliativos ganham espaço internacional
A ASCO 2026 também terá forte presença de estudos brasileiros voltados à integração da telemedicina aos cuidados paliativos oncológicos, uma área que ganhou relevância após a pandemia e hoje é considerada estratégica para ampliar acesso ao cuidado especializado.
Pesquisas lideradas por Sarah Ananda e Alexandra Arantes avaliaram desde o uso de ferramentas estruturadas para planejamento antecipado de cuidados até o impacto das teleconsultas nos desfechos de fim de vida de pacientes com câncer avançado.
Os resultados sugerem que modelos de telepaliativo podem reduzir intervenções agressivas no fim da vida, ampliar o cuidado domiciliar e oferecer acompanhamento contínuo sem perda relevante de complexidade assistencial.
Exercício físico, nutrição e sintomas passam a integrar tratamento oncológico
Uma das mudanças mais evidentes da oncologia moderna é a ampliação do olhar sobre fatores que influenciam a experiência do paciente além do tumor. Entre os estudos brasileiros apresentados no congresso está um ensaio clínico de fase 2 liderado por Paulo Bergerot sobre um programa remoto de exercícios físicos para pacientes em imunoterapia. A pesquisa mostrou potencial para melhorar qualidade de vida, reduzir sintomas e diminuir medo da recorrência do câncer.
Já o pesquisador Jessé Lopes apresentará trabalhos envolvendo rastreamento nutricional em pacientes com câncer avançado em cuidados paliativos, além de uma metanálise sobre uso de carboplatina em câncer de mama triplo-negativo de alto risco.
Na área de sintomas e qualidade de vida, Flávia Sorice apresentará um estudo longitudinal sobre sinais precoces de declínio clínico em pacientes oncológicos avançados em cuidados paliativos ambulatoriais. A pesquisa busca identificar alterações de sintomas antes da piora funcional mais evidente, permitindo intervenções mais precoces e individualizadas.
Também focado em qualidade de vida, um estudo liderado por Renata Ferrari investigará estratégias para reduzir complicações orais durante radioterapia em pacientes com câncer de cabeça e pescoço, especialmente mucosite oral, uma das toxicidades mais incapacitantes do tratamento.
Inteligência artificial e oncologia de precisão consolidam nova fase da pesquisa brasileira
A medicina de precisão e a inteligência artificial seguem entre os temas mais estratégicos da ASCO 2026 e o Brasil também aparece nesse cenário.
Um dos destaques é o estudo liderado por Breno Araújo, da Oncoclínicas Medicina de Precisão, que avaliou mais de 1.500 pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células para investigar fusões em NRG1, alteração molecular rara, mas potencialmente acionável com terapias-alvo.
Segundo os pesquisadores, o trabalho reforça como abordagens combinando sequenciamento de DNA e RNA podem ampliar a identificação de biomarcadores relevantes e apoiar decisões terapêuticas mais individualizadas.
Outro destaque vem do Rio Grande do Sul, onde Alessandra Morelle apresentará resultados de um programa de navegação digital baseado em ePROs (desfechos reportados pelos próprios pacientes). O estudo demonstrou redução expressiva em visitas ao pronto-socorro, hospitalizações e custos assistenciais, além de alta adesão ao monitoramento remoto.
Para Carlos Gil Ferreira, os estudos apresentados em Chicago mostram que a produção científica brasileira vem se alinhando às principais transformações globais da oncologia. “A ASCO 2026 consolida uma nova etapa da oncologia moderna, marcada não apenas pelo avanço de terapias inovadoras, mas também pela busca de tratamentos mais individualizados, sustentáveis e centrados na experiência real do paciente”, finaliza.